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O milagre vindo de fora, apresenta Deus como um mero fazedor de coisas (parte 1)

  A maneira do senso comum cristão - sobretudo o evangélico-protestante - lidar  com o milagre sempre como uma drástica intervenção no natural, um super poder vindo de fora, de cima, que corta o plano transitório, fazendo acontecer aquilo que seria impossível em um mundo organizado de acordo com as consagradas leis físicas universais, leis que, pela própria regularidade de sua ocorrência, são antagônicas à lógica do “sobrenatural”, foi a principal causa da sensação que o homem moderno sente em ralação à distância de Deus dos assuntos da vida ordinária. Quando a cristandade achou coerência e encorporou à singular e irretocável mensagem do Cristo, o modelo platônico de separação entre transcendência e imanência, mundo ideal e mundo sensível, eterno e transitório, céu e terra, alma e corpo, a fé no milagre como uma comunicação divina que brota do centro da própria vida e não de cima para baixo, não encontrou mais lugar no coração das pessoas.   Os cristãos de agora ainda não...

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